A Umbanda é uma religião natural que segue minuciosos ensinamentos de várias vertentes da humanidade. Ela traz lições de amor e fraternidade sendo cósmica em seus conceitos e transcendental em seus fundamentos.
Prega acima de tudo a caridade e o amor ao próximo.
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“ Nisto lhe disse João:“ Mestre, vimos um homem que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não vai convosco.”
Respondeu-lhes Jesus: “ Não lhos proíbas; porque quem realiza obras poderosas em meu nome não pode dizer mal de mim. Quem não é contra vós é por vós. Quem vos der de beber um copo d’água em meu nome, por serdes do Cristo, em verdade eu vos digo que não ficará sem recompensa.”

(Marcos, 9:38-41)

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“A maior de todas as ignorâncias é rejeitar uma coisa sobre a qual você nada sabe."
(H. Jackson Brownk)


A Umbanda é Monoteista
Por Rubens Saraceni


MONOTEÍSMO: Sistema que admite a existência de um Deus único
MONOTEÍSTA: Que adora um só Deus.
Já vem de alguns milhares de anos uma discussão sem fim, usada pelos seguidores do filo religioso judaico-cristão-islamita para convencer a humanidade de que, religiosamente são os únicos adoradores do Deus único e verdadeiro. E que os seguidores das outras religiões são adoradores de deuses “pagãos”, de “demônios”, de “falsos deuses” de “ídolos de pedras”, etc.
As assacadas pejorativas são tantas que não vamos perder tempo com elas, e sim, comentaremos o monoteísmo umbandista.
O fato é que, em se tratando de religião, a “disputa” pela primazia é acirrada e a “concorrência” é desleal e antiética porque cada uma se apresenta como a verdadeira religião e atribui às outras a condição de “falsas religiões”, enganadoras da boa fé, etc.
Já demonstramos em outras ocasiões que as religiões não são fundadas por Deus e sim por homens, certo? Portanto, todas são discutíveis ou questionáveis pelos seguidores de uma contra as outras.
Esse embate sempre existiu e tem servido para os mais diversos fins, entre eles, o de dominar a mente e a consciência do maior número de pessoas possível; de expansão do poder político; de expansão econômica; territorial, militar, etc.
Fato esse, que tem levado pessoas tidas como religiosas ou “santas” a induzirem seus seguidores no sentido de cometerem terríveis atrocidades e genocídios. Isto é História com H maiúsculo mesmo! Essa realidade tem levado muitas pessoas observadoras desses acontecimentos a optarem pelo ateísmo ou pela abstinência religiosa.
Cientes de que os “interesses pessoais” muitas vezes sobrepõe-se sobre a religiosidade das pessoas, não devemos influenciar-nos pelo que os seguidores de outras religiões dizem sobre a nossa e devemos relegar suas críticas, calúnias e difamações à vala comum dos desequilibrados no sentido da fé, pois o mesmo Deus que nos criou também criou os vermes, os fungos e as bactérias decompositoras que devoram o corpo dos que desencarnam, sejam eles seguidores de uma ou outra religião ou sejam ateístas.
Deus está acima das picuinhas entre seguidores das muitas religiões e nós temos que discernir o Deus verdadeiro dos que dele se apossam e passam a usá-lo em beneficio próprio e com o propósito de enfraquecer as religiões e as religiosidades alheias.
Esses procedimentos mesquinhos são típicos dos seres desequilibrados no sentido da fé e não devemos dar-lhes ouvido, e muito menos atenção.
Devemos sim é demonstrar que estão errados, assim como que pouco sabem sobre Deus e não estão aptos a discuti-lo ou questionarem a fé a religiosidade alheias.
QUEM, EM SÃ CONSCIÊNCIA, PODE AFIRMAR COMO É DEUS?
QUEM, RACIONALMENTE CONSCIENTE, PODERIA AFIRMAR QUE VIU DEUS?
Cremos que ninguém pode afirmar com convicção como Ele é, e que já o viu; ou mesmo que já tenha falado diretamente com Ele.
Mas, se isso é impossível porque Ele não tem forma, é invisível aos nossos olhos carnais e é inefável, é a nossa Fé que nos coloca em comunhão com Ele e dele recebemos seus eflúvios divinos que nos alteram, nos extasiam, nos inspiram e nos impulsionam no nosso virtuosismo e evolução espiritual.
Deus, entre muitas formas de descrevê-lo, também pode ser descrito como o estado divino da vida e da criação, fato esse que O torna presente em nós através da nossa “vida” e torna-se sensível através dos nossos mais elevados sentimentos de fé.
Isso, pessoas bondosas seguidoras de todas as religiões conseguem porque o sentem presente em suas vidas e com Ele interagem através dos sentimentos virtuosos. Deus tanto está em todos através do dom da vida, como com todos interage através dos sentimentos nobres e virtuosos.
E como isso não é propriedade de nenhuma religião, e sim algo que pertence à todos os que Nele crêem e agem de acordo com suas leis reguladoras da vida e seus princípios sustentadores do nosso caráter da moral, das virtudes, dos verdadeiros sentidos da vida.
Cada um, independente da religião que segue, sente e entende Deus ao seu modo e segundo sua percepção e seu estado de consciência.
Na Umbanda, todos os seus seguidores crêem na existência de Deus e não questionam a sua existência e nem o inferiorizam, colocando-o ao mesmo nível das divindades Orixás, e sim, o entendem e o situam como o divino criador Olorum, que tudo criou e que criou até os Sagrados Orixás.
O entendemos como a Origem de tudo e como o Sustentador de tudo o que criou e confiou a gover-nabilidade dos Sagrados Orixás, os governadores dos muitos aspectos da Criação e estados da Criação.
Acreditamos na exis-tência dos seres divinos e os entendemos como nossos superiores mas em nenhum momento os situamos acima do divino Criador Olorum, ou como iguais ou superiores a Ele. Na Umbanda, tudo é hierarquizado e muito bem definido, sendo que na origem e acima de tudo e de todos está Olorum, o supremo regente da criação, indescritível através de palavras e impossível de ser modelado em uma imagem porque não é um ser e sim um poder supremo que rege sobre tudo e todos, inclusive rege os Orixás divinos, também enten-didos como inefáveis. Porque são Ele, Olorum, já manifestado como suas qualidades divinas.
A hierarquização é total e só não a vê quem não estuda a Umbanda com uma visão abrangente.
SENÃO, VEJAMOS:
Olorum manifesta-se através das suas qualidades divinas. Em cada uma das suas qualidades Ele gera um Orixá, que por sua vez, traz em si todas as qualidades de Olorum e geram-nas em suas hierarquias divinas, naturais e espirituais.
Ou não é verdade que, por exemplo, Ogum é uma qualidade de Deus? Ogum é uma qualidade ordenadora de Olorum, certo?
Portanto, Olorum que é o todo individualizou-se na sua qualidade ordenadora e gerou Ogum que, mesmo sendo em si só a qualidade ordenadora dele, traz em si as suas outras qualidades divinas e, ao manifestá-las, gera uma infinidade de hierarquias divinas naturais e espirituais, todas classificadas pelas qualidades divinas contidas na qualidade ordenadora de Ogum, que só em Ogum é uma qualidade original.
Já nos “Oguns” qualificados pelas outras qualidades de Olorum, neles a qualidade ordenadora é uma herança divina herdada de Ogum, fato esse que os qualificam como “Oguns”.
A hierarquização é tão rígida que há Olorum, há Ogum e há os “Oguns” que, estes sim, são as outras qualidades de Olorum herdadas por Ogum.
E esses “Oguns” são identificados, classificados e hierarquirizados pelas outras qualidades de Olorum fazendo surgir as hierarquias de Ogum, tais como: • OGUM ordenador da Fé e da religiosidade dos seres; • OGUM ordenador do Amor e da concepção das novas vidas; • OGUM ordenador da razão ou da Justiça divina e regulador dos “limites” de cada coisa criada; • OGUM ordenador da Lei e do caráter de todas as coisas existentes; • OGUM ordenador da Evolução e da estabilidade da criação; • OGUM ordenador da Geração das coisas e da criatividade dos seres; • OGUM ordenador do Tempo e regulador dos ciclos e dos ritmos de cada coisa criada.
De tão hierarquizada que é a criação chegamos ao nível terra e encontramos a hierarquização em tudo e em todos e temos os pássaros de Ogum; temos as ervas (raízes, folhas, flores, frutas, sementes e madeiras) de Ogum.
Temos os animais, os répteis, os insetos, os peixes, os anfíbios, etc., de Ogum.
• Temos os filhos de Ogum.
• Temos as cores de Ogum.
• Temos as armas de Ogum.
• Temos os procedimentos e as
posturas de Ogum, o seu
arquétipo divino.
E o mesmo se repete com todos os Orixás, onde cada um dos Orixás originais é em si uma qualidade original de Olorum, mas com cada um trazendo em si e nessa sua qualidade original que o classifica, o nomeia e o hierarquiza todas as outras qualidades do divino criador Olorum, pois este também individualizou-se em cada um dos seus Orixás originais, sendo que estes também hierarquizam-se em cada uma das suas qualidades divinas que herdaram do divino criador Olorum, multiplicando-se ao infinito e fazendo surgir um novo Orixá para cada uma das qualidades herdadas Dele, o divino criador Olorum.
Daí surgem as muitas “Oxuns”, os muitos “Xangôs”, as muitas “Iemanjás”, etc., todas hierarquizadas e responsáveis pela aplicação das qualidades divinas na vida dos seres espirituais, dos seres naturais, dos seres elementais, dos seres instintivos, dos seres elementares e de tudo o mais que existe e que é identificado e classificado pela qualidade divina do Orixá original que o rege e em cada um individualizou-se e o qualificou com uma das muitas qualidades do divino criador Olorum.
Assim, na Umbanda cultua-se e adora-se a um único Deus e ao Deus único. Mas também cultua-se a adora-se os Orixás porque eles são manifestações e individualizações divinas do divino criador Olorum, origem de tudo e de todos.
A idealização de Deus pela Umbanda guarda a essência da matriz religiosa nagô e a elaborou à partir da hierarquização existente na criação, hierarquização esta só não visível aos desatentos ou desinformados pois até nas linhas de trabalho, formada pelos espíritos humanos, ela está se mostrando o tempo todo através dos nomes simbólicos usados pelos guias espirituais.
- Ou não é verdade que existem muitas linhas de caboclos de Ogum; de Oxossi; de Xangô; de Oxalá; de Oxum; de Iemanjá; de Iansã, etc.?
A Umbanda é monoteísta, mas tal como acontece em todas as outras religiões, ela também crê na existência de um universo divino, povoado por seres divinos que zelam pelo equilíbrio da criação e pelo bem estar dos seres espirituais criados por Deus, o divino criador Olorum. Ou não é verdade que no monoteístico filo religioso judaico-cristão-islamita também se crê na existência de um único Deus e numa corte de seres divinos denominados como anjos, arcanjos, querubins, serafins, etc?
O modelo de organização e descrição de Deus e do universo divino é o mesmo, que é o mesmo utilizado pelo hinduísmo, pelos greco-romanos, persas, egípcios, e outros povos antigos que também acreditavam na existência de um Ser Supremo e numa corte divina a auxiliá-lo na sustentação da criação e na condução da evolução dos seres.
Em se tratando de Deus e das religiões, todas seguem o mesmo modelo de organização, pois dois, não há!
Religiões são como famílias e para existir uma nova família é preciso de um homem, uma mulher, uma casa e filhos.
Não há outra forma de ter uma família organizada e auto sustentável fora desse modelo. E o mesmo acontece com as religiões: um único modelo organizacional para todas.
Uma vez que Deus é um só e a forma de “tê-lo” em nós e Dele nos aproximarmos é a mesma para todos, assim como é o destino dos corpos enterrados nos cemitérios. Então nesse caso não há nada de novo ou diferente desde que o mundo começou a existir. Apenas existem diferenças nas formas de apresentação das religiões, pois umas são rústicas, práticas e simples. Outras são elaboradíssimas, iniciáticas e complexas, como é o caso da Umbanda, compreendida por uma minoria.
Mas no fundo da alma das religiões criadas pelos homens, e dos seres criados por Deus, que só há um, que é o divino criador Olorum, que as habita.
Esperamos ter fundamentado e justificado o monoteísmo existente na Umbanda, certo? Quanto ao que possam dizer os seguidores de alguma outra religião que sente-se “proprietário” de Deus e atribuam-nos o politeísmo, olvide-os porque, como bem disse o mestre Jesus, não vale a pena “dar pérolas aos porcos”.

Texto Publicado no Jornal de Umbanda Sagrada de Fevereiro de 2010, Nº117
Umbanda quem és?
Por Elcyr Barbosa


- Quem sou? É difícil determinar. Sou a fuga para alguns, a coragem para outros. Sou o tambor que ecoa nos terreiros, trazendo o som das selvas e das senzalas. Sou o cântico que chama ao convívio seres de outros planos.
Sou a senzala do Preto Velho, a ocara do Bugre, a cerimônia do Pajé, a encruzilhada do Exu, o jardim da Ibejada, o nirvana do Indu e o céu dos Orixás.
Sou o café amargo e o cachimbo do Preto Velho, o charuto do Caboclo e do Exu; o cigarro da Pomba-Gira e o doce do Ibejê.
Sou a gargalhada da Rosa Caveira do Cruzeiro das Almas, o requebro da Maria Padilha das Almas, a seriedade do Seu Marabô.
Sou o sorriso e a meiguice de Maria Conga de Aruanda e de Pai José de Aruanda; a traquinada de Mariazinha da Praia, Risotinho, Joãozinho da Mata e a sabedoria do Caboclo Tupynambá.
Sou o fluído que se desprende das mãos do médium levando a saúde e a paz.
Sou o isolamento dos orientais onde o mantra se mistura ao perfume suave do incenso.
Sou o Templo dos sinceros e o teatro dos atores.
Sou livre. Não tenho Papas.
Sou determinada e forte.
Minhas forças? Elas estão no homem que sofre e que clama por piedade, por amor, por caridade.
Minhas forças estão nas entidades espirituais que me utilizam para seu crescimento.
Estão nos elementos. Na água, na terra, no fogo e no ar; na pemba, na tuia, no mandala do ponto riscado.
Estão finalmente na tua crença, na tua Fé, que é o elemento mais importante na minha alquimia.
Minhas forças estão em ti, no teu interior, lá no fundo, na última partícula da tua mente, onde te ligas ao Criador.
Quem sou?
Sou a humildade, mas cresço quando combatida.
Sou a prece, a magia, o ensinamento milenar, sou cultura.
Sou o mistério, o segredo, sou o amor e a esperança. Sou a cura. Sou de ti. Sou de Deus. Sou Umbanda. Só isso. Sou Umbanda.

Nosso irmão e Sacerdote Pedro Miranda, atual Presidente da UEUB (União Espiritista de Umbanda do Brasil), nos esclarece que:
"O nosso querido irmão Elcyr Barbosa, dirigente do Centro Espírita Jesus de Naxareth, realizou suas sessões de caridade durante muito tempo na sede da União Espiritista de Umbanda do Brasil. Eu o conheci muito bem. Era um irmão destituído de qualquer apego às coisas materiais. Tudo que escrevia dizia que não lhe pertencia, mas, sim à imensa família da nossa Umbanda. A mensagem pode ser publicada sem qualquer receio. Sugerimos apenas que se diga que foi uma mensagem recebida do plano da espiritualidade pelo irmão Elcyr Barbosa. "
Fraternalmente Pedro Miranda União Espiritista de Umbanda do Brasil
UMBANDA
por Fernando Sepe


A Umbanda crê num Ser Supremo, o Deus único criador de todas as religiões monoteístas. Os Sete Orixas são emanações da Divindade, como todos os seres criados.

O propósito maior dos seres criados é a Evolução, o progresso rumo à Luz Divina. Isso se dá por meio das vidas sucessivas, a Lei da Reencarnação, o caminho do aperfeiçoamento.

Existe uma Lei de Justiça Universal que determina, a cada um, colher o fruto de suas ações, e que é conhecida como Lei de Ação e Reação.

A Umbanda se rege pela Lei da Fraternidade Universal: todos os seres são irmãos por terem a mesma origem, e a cada um devemos fazer o que gostaríamos que a nós fosse feito.

A Umbanda possui uma identidade própria e não se confunde com outras religiões ou cultos, embora a todos respeite fraternalmente, partilhando alguns princípios com muitos deles


A Umbanda está a serviço da Lei Divina, e só visa ao Bem. Qualquer ação que não respeite o livre-arbítrio das criaturas, que implique em malefício ou prejuízo de alguém, ou se utilize de magia negativa, não é Umbanda.

A Umbanda não realiza, em qualquer hipótese, o sacrifício ritualístico de animais, nem utiliza quaisquer elementos destes em ritos, oferendas ou trabalhos.

A Umbanda não preceitua a colocação de despachos ou oferendas em esquinas urbanas, e sua reverência às Forcas da Natureza implica em preservação e respeito a todos os ambientes naturais da Terra.

Todo o serviço da Umbanda é de caridade, jamais cobrando ou aceitando retribuição de qualquer espécie por atendimento, consultas ou trabalhos mediúnicos. Quem cobra por serviço espiritual não é umbandista.


"Tudo melhora por fora para quem cresce por dentro."



O que a Umbanda tem a oferecer?


Hoje em dia, quando falamos em religião, os questionamentos são diversos. A principal questão levantada refere-se à função da mesma nesse início de milênio.
Tentaremos nesse texto, de forma panorâmica, levantar e propor algumas reflexões a esse respeito, tendo como foco do nosso estudo a Umbanda.

O que a religião e, mais especificamente, a religião de Umbanda, pode oferecer a uma sociedade pós-moderna como a nossa? Como ela pode contribuir junto ao ser humano em sua busca por paz interior, desenvolvimento pessoal e auto-realização?
Quais são suas contribuições ou posições nos aspectos sociais, em relação aos grandes problemas, paradoxos e dúvidas, que surgem na humanidade contemporânea?
Existe uma ponte entre Umbanda e ciência (?) _ algo indispensável e extremamente útil, nos dias de hoje, a estruturação de uma espiritualidade sadia.

O principal ponto de atuação de uma religião está nos aspectos subjetivos do “eu”. Antigamente, a religião estava diretamente ligada à lei, aos controles morais e definição de padrões étnicos de uma sociedade _ vide os dez mandamentos e seu caráter legislativo, por exemplo. Hoje, mais que um padrão de comportamento, a religião deve procurar proporcionar “ferramentas reflexivas” ou
“direções” para as questões existenciais que afligem o ser humano. Em relação a isso, acreditamos ser riquíssimo o potencial de contribuição do universo umbandista, mas, para tanto, necessitamos que muitas questões, aspectos e interfaces entre espiritualidade umbandista e outras religiões e ciência sejam desenvolvidos, contribuindo de forma efetiva para que a religião concretize um pensamento profundo e integral em relação ao ser humano, assumindo de vez uma postura atual e vanguardista dentro do pensamento religioso. Entre essas questões, podemos citar:

_ Um estudo aprofundado dos rituais umbandistas, não apenas em seus aspectos “magísticos”, mas também em seus sentidos culturais, psíquicos e sociais. Como uma gira de Umbanda, através de seus ritos, cantos e danças, envolve-se com o
inconsciente das pessoas? Como podem colaborar para trabalhar aspectos “primitivos” tão reprimidos em uma sociedade pós-moderna como a nossa? Como os ritos ganham um significado coletivo, e quais são esses significados? Grandes contribuições a sociologia e a antropologia podem dar à Umbanda.

_ Uma ponte entre as ciências da mente – como a psicanálise, psicologia – e a mediunidade, utilizando-se da última também como uma forma de explorar e conhecer o inconsciente humano. Mais do que isso, os aspectos psicoterápicos de uma gira de Umbanda e suas manifestações tão míticas-arquetípicas. Ou será que nunca perceberemos como uma gira de “erê”, por exemplo, além do trabalho espiritual realizado, muitas vezes funciona como uma sessão de psicoterapia em
grupo?

_ A mediunidade como prática de autoconhecimento e porta para momentâneos estados alterados de consciência que contribuem para o vislumbre e o alcance permanente de estágios de consciência superiores. Além disso, por que não a prática meditativa dentro da Umbanda (?) _ prática essa tão difundida pelas religiões orientais e que pesquisas recentes dentro da neurociência demonstram de forma inequívoca seus benefícios em relação à saúde física, emocional e mental.

_ Uma proposta bem fundamentada de integração de corpo-mente-espírito. Contribuição muito importante tanto em relação ao bem estar do indivíduo, como também dentro da medicina, visto que a OMS (Organização Mundial da Saúde) hoje admite que as doenças tenham como causas uma série de fatores dentro de um paradigma bio-psíquico-social caminhando para uma visão ainda mais holística, uma visão bio-psíquico-sócio-espiritual.

_ O estudo comparativo entre religiões, com uma proposta de tolerância e respeito as mais diversas tradições. Por seu caráter sincrético, heterodoxo e anti-fundamentalista, a Umbanda tem um exemplo prático de paz as inúmeras questões de conflitos étnico-religiosos que existem ao redor do mundo.

_ A liberdade de pensamento e de vida que a Umbanda dá as pessoas também deveria ser mais difundido, visto que isso se adapta muito bem ao modelo de espiritualidade que surge como tendência nesse começo de século XXI. Parece-nos que a Umbanda há muito tempo deixou de lado a velha ortodoxia religiosa de “um único pastor e único rebanho”, para uma visão heterodoxa de se pensar espiritualidade, onde ela assume diversas formas de acordo com o estágio de desenvolvimento consciencial de cada pessoa, o que vem de encontro – por exemplo – com as idéias universalistas de Swami Vivekananda e seu discurso de “uma Verdade/Religião própria para cada pessoa na Terra”. E a Umbanda, assim como muitas outras religiões, pode sim desenvolver essa multiplicidade na unidade.

_ O resgate do sagrado na natureza e o respeito ao planeta como um grande organismo vivo. Na antiga tradição yorubana tínhamos um Orixá chamado Onilé, que representava a Terra planeta, a mãe Terra. Mesmo que seu culto não tenha se preservado, tanto nos candomblés atuais como na Umbanda, através de seus outros “irmãos” Orixás, o culto a natureza é preservado e, em uma época crítica em termos ecológicos, a visão sagrada do planeta, dos mares, dos rios, das matas, dos animais, etc - ganha uma importância ideológica muito grande e dota a espiritualidade umbandista de uma consciência ecológica necessária.

_ O desenvolvimento de uma mística dentro da Umbanda, onde elementos pré-pessoais como os mitos e o pensamento mágico-animista, possam ser trabalhados dentro da racionalidade, levando até mesmo ao desenvolvimento de aspectos transpessoais, transracionais e trans-éticos dentro da religião. A identificação do médium em transe com o Todo através do Orixá, a trans-ética que deve reger os trabalhos magísticos de Umbanda, os insights e a lucidez verdadeira que levam a mente para picos além da razão e do alcance da linguagem, o fim da ilusão dualista para uma real compreensão monista através da iluminação, são exemplos de aspectos transpessoais que podem ser (e faltam ser) desenvolvidos dentro da religião.

_ Os aspectos culturais, afinal Orixá é cultura, as entidades de Umbanda são cultura o sincretismo umbandista é cultura. Umbanda é cultura e é triste perceber o descaso, seja de pessoas não adeptas, como de umbandistas, que simplesmente não compreendem a importância cultural da Umbanda e da herança afro-indígena na construção de uma identidade nacional. A arte em suas mais
variadas expressões tem na Umbanda um rico universo de inspiração. Cabe a ela apoiar e desenvolver mais aspectos de sua arte sacra.

Essas são, ao nosso entendimento, algumas das “questões-desafios” que a Umbanda tem pela frente, principalmente por ser uma religião nova, estabelecendo-se em um mundo extremamente multifacetado como o nosso. Muito mais poderia e com certeza deve ser discutido e desenvolvido dentro dela.

Apenas por essa introdução já se pode perceber a complexidade da questão e como é impossível ter uma resposta definitiva a respeito de tudo isso. Muitos podem achar que o que aqui foi dito esteja muito distante da realidade dos terreiros. Mas acreditamos que a discussão é pertinente, principalmente devido ao centenário, onde muito mais que festas, deveríamos aproveitar esse momento para uma maior aproximação de ideais e pessoas, além de uma sólida estruturação do pensamento umbandista. Esperamos em outros textos abordar de forma mais profunda e propor algumas idéias a respeito das questões e relações aqui levantas. Esperamos também que outros umbandistas desenvolvam esses ou outros aspectos que acharem relevantes e caminhemos juntos em busca de uma espiritualidade sadia, integral e lúcida.